
“Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Mat. 27; 46
No mundo de hoje, muitas pessoas parecem vitoriosas. Bill Gates, por exemplo, tem muito dinheiro. Outros têm uma técnica toda especial para jogar futebol, como o Ronaldinho. Outros estão na crista da onda, em todas as capas de revistas, como Gisele Bündchen. Mas ser vitorioso mesmo não é nada disso. Ser vitorioso é crer em Jesus. Poderíamos pensar que Cristo morreu na cruz por causa da traição de Judas, por causa da inveja dos líderes judeus, ou da covardia de Pilatos ou ainda por causa da crueldade dos soldados romanos. Mas não foi por nada disso.
Na verdade, Deus deu gratuitamente ao mundo o Seu Filho unigênito, Jesus Cristo, para que qualquer pessoa que crer em Cristo encontre a vida eterna e o amor perfeito de Deus, em uma palavra, a salvação. Isto sim é vitória! Cristo pagou na cruz todo o salário do nosso pecado. O pecado é realmente muito sério e grave e nos dá a sensação de derrota, porque ele cria uma barreira dolorosa entre nós e Deus. Mas Cristo aniquilou esta barreira pelo seu sangue derramado na cruz!
Após Jesus ter sido apresentado a Pilatos, o governador do império romano, e duramente açoitado, os soldados o levaram para o pretório. Com certeza, bastaria o açoitamento para que um homem frágil e fraco morresse. Naquela época, os judeus eram açoitados o dobro de vezes de outros presos, pois era uma forma de se ensinar ao povo a obediência ao império. Os açoites tinham pedaços de osso e o objetivo disto era que o açoitado sofresse mais, pois cada golpe tirava um pedaço da sua pele. Após o duro açoitamento, Jesus foi entregue aos soldados.
Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram em torno dele toda a coorte. 28 Despojando-o das vestes, cobriram-no com um manto escarlate; 29 tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus! 30 E, cuspindo nele, tomaram o caniço e davam-lhe com ele na cabeça.” (S. Mateus 27:28-30)
Não bastasse todo o sofrimento do açoitamento, a zombaria dos soldados era cruel, realmente desumana. O profeta Isaías narra que Jesus não abriu a boca, como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda diante dos seus tosquiadores. Você já viram a mudez e a mansidão de uma ovelha diante dos tosquiadores? Ela é colocada diante deles, calada e mansa, e os tosquiadores, cheios de tesouras ou instrumentos elétricos de corte, começam a cortar e a arrancar toda a lã da ovelha que, espantosamente, não reage e não tenta se defender. Da mesma forma, Jesus não se defendeu dos insultos e das agressões dos soldados, mas agüentou tudo isso calado para consumar sua vitória na cruz."Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto e o vestiram com as suas próprias vestes. Em seguida, o levaram para ser crucificado.” (v. 31)
Jesus começava assim a caminhada, passo a passo, rumo à crucificação...
E, chegando a um lugar chamado Gólgota, que significa Lugar da Caveira, deram-lhe a beber vinho com fel; mas ele, provando-o, não o quis beber.” (v. 34)

Chegando à Gólgota, foi oferecido a Jesus, momentos antes da crucificação, vinho com fel. Sabem por que vinho com fel? A crucificação era na época a forma mais cruel de se matar um prisioneiro; o crucificado ia perdendo pouco a pouco todo o sangue do seu corpo. O sangue é a vida da carne; isto significa que o crucificado ia perdendo sua vida de pouco em pouco. Assim, o vinho com fel servia como uma espécie de anestésico para aliviar um pouco o sofrimento físico da crucificação. Mas Jesus, ao provar a bebida, não a quis, pois não queria aliviar absolutamente nada de toda a dor pela qual iria passar para nos salvar. Em seguida, Jesus foi crucificado; suas mãos e seus pés foram traspassados pelos grandes pregos que deviam sustentar o peso do seu corpo sobre o madeiro. Para entendermos a que ponto a morte de cruz era uma maldição naquela época e como Cristo a aceitou, para nos salvar, vejamos o que diz em Gálatas 3:13
“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro)”
Mas Cristo, para nos livrar de toda a maldição que era para nós, fez-se Ele próprio maldição no nosso lugar; ele tomou nosso lugar para nos salvar... pelo seu sacrifício na cruz.
Jesus, sendo o Rei e Senhor, foi crucificado no meio de dois ladrões. Por quê? Isaías 53 nos diz que Cristo
“Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”
Cristo foi realmente contado com os transgressores, mas “levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.”
A hora sexta quer dizer meio-dia, houve trevas sobre a terra até três horas da tarde. O dia fugiu daquela cruz que estava carregando o peso do pecado do mundo todo. No nascimento do Filho de Deus, houve luz. Foi a luz da glória do Senhor, que brilhou sobre os pastores que guardavam o rebanho na vigília da noite. Na morte do Messias Salvador, houve trevas, trevas ao meio dia. Houve trevas porque Cristo foi separado, ainda que momentaneamente, ele foi separado do Deus Pai, para suportar até os últimos instantes o pecado de todos os homens. No meio da solidão mais profunda, separado do Deus Pai, Cristo clamou: “Eli, Eli, lamá sabactâni?”,
“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Cristo, sendo perfeito e sem pecado, sofreu a dor de não estar em comunhão com o Pai, para carregar o pecado da humanidade. Ele sofreu naquele momento o horror das grandes trevas na alma, os sofrimentos terríveis da solidão e do abandono que todo homem, separado de Deus pelo pecado, sofre. Cristo, perfeito, sem pecado, expressão exata do Ser de Deus, Rei dos reis e Senhor dos senhores, não abriu mão de nenhuma parcela do nosso sofrimento humano, para se tornar o nosso Salvador, perfeito e completo!
Cristo consumou sua missão divina de salvar o mundo e os pecadores. No momento de sua morte, Cristo entregou serenamente o espírito ao Pai. Isto surpreendeu até mesmo o centurião romano e os guardas que estavam com ele a ponto de dizerem; “Verdadeiramente este era o Filho de Deus”. Na hora da morte, a maioria dos homens morre tristemente com derrota e frustração. Com certeza aquele centurião e aqueles homens estavam acostumados a presenciar a perturbação e o tormento dos homens na hora da morte, mas Cristo morreu tão vitoriosamente, porque ele morreu com a glória de quem cumpriu toda a missão que o Pai havia lhe confiado. Lc 23:46 nos mostra que Jesus simplesmente disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” e expirou.
Minha história aos pés da cruz de Cristo
Eu sou Liliane, pesquisadora em crítica genética, estudiosa dos manuscritos, da escritura e dos processos de criação na obra de grande autor francês Marcel Proust. Eu sempre conheci a história da cruz de Cristo devido à minha formação religiosa, cristã, que recebi desde o ventre de minha mãe. No entanto, eu não via nenhuma relação entre o sacrifício de Jesus e a minha vida, então eu era incapaz de me enxergar diante da cruz de Cristo.
Quando eu pensava sobre a minha vida, achava que era só uma sucessão de tristeza. Um tipo de filme muito dramático, que eu não sabia se terminaria bem. Eu fui criada sem a presença do meu pai. Parece comum nos nossos dias, mas crescer sem uma das partes, ou pai, ou mãe, ou os dois, deixa marcas profundas, que só Cristo pode curar.
Eu me considerava uma vítima da vida e tinha uma espécie de raiva de Deus. Exatamente como a bíblia diz, eu tinha inimizade contra Deus. Eu pensava sempre em suicídio, porque não conseguia suportar aquela sensação de abandono, de desamparo, de achar que eu tinha de fazer tudo sozinha se quisesse mudar de vida. Eu já pensava que não tinha um pai de carne e osso para me ajudar, não ter também um Deus justo era demais pra mim, era insuportável.
Eu diria que, em resumo, eu tinha a alma cheia de trevas. Minha esperança mais concreta era lutar pela sobrevivência usando minha própria força e meu grande orgulho como escudos. Eu queria falar várias línguas, formar-me na USP e fazer mestrado. Consegui, mas o preço emocional foi alto e chega a ser um paradoxo: como uma pessoa pode lutar pela sobrevivência com a alma cheia de morte? Eu era assim, em resumo, sem esperança e diante de uma vida cinza.
Porém, Jesus, sabendo detalhadamente quem eu sou, as melhores e as piores coisas do meu ser, chamou-me como filha, filhinha. Colocou-se em lugar do meu Pai carnal, e conduzindo a menina perdida que eu sempre fui me ensinou e me fez conhecer seu sacrifício na cruz por mim. Com muita luta, e em meio ao mar de lágrimas que era a minha vida, Deus foi quebrando a grande pedra que era o meu coração para que eu pudesse ouvir Sua palavra.
Muitas outras mudanças aconteceram e estão acontecendo ainda em mim, mas eu posso dizer que: eu não tinha esperança, nem paz. Agora, posso respirar e sentir Cristo no meu interior, acalmando meu coração. Posso olhar para o futuro e imaginar que viverei grandes maravilhas do Senhor, muitas coisas vão acontecer ainda e eu ainda vou aprender muito mais de Cristo.
É uma benção divina quando nosso sofrimento se torna compreensão e compaixão. O desespero e a angústia que eu vivi me permitem compreender o que vai no coração e no silêncio das pessoas... é o que dizem aqueles que se aproximam de mim. No entanto, eles não sabem que a minha história só se tornou uma benção porque ela cruzou o caminho da cruz de Cristo, como o Simão de Cirene, que cruzou o caminho de Cristo e sentiu o peso da cruz para poder começar uma nova história. Se o meu caminho não tivesse nunca passado pela cruz de Cristo, continuaria a ser uma ferida aberta que ninguém quer mostrar. Como Isaías disse, Cristo carregou sobre si as nossas dores e enfermidades. As minhas também estavam lá sobre o corpo de Cristo, desconjuntado e dilacerado na cruz. Eu venci! Pela misericórdia de Deus e pelo sacrifício de Cristo, eu estou aqui!
Agradeço ao Senhor, que me chamou das trevas para me dar a nova vida vitoriosa pelo sangue de Jesus derramado na cruz.
Em conclusão, a cruz de Cristo nos dá a salvação, a verdadeira direção da vida e a vitória verdadeira. A cruz de Cristo nos dá um novo e vivo caminho em direção ao Pai e ao reino dos céus. Oro para que cada um que por aqui passar possa ganhar essa vitória, aceitando pessoalmente o sacrifício de Jesus na cruz, com arrependimento sincero diante de Cristo. Pois, em Cristo, somos mais que vencedores!
Em conclusão, a cruz de Cristo nos dá a salvação, a verdadeira direção da vida e a vitória verdadeira. A cruz de Cristo nos dá um novo e vivo caminho em direção ao Pai e ao reino dos céus. Oro para que cada um que por aqui passar possa ganhar essa vitória, aceitando pessoalmente o sacrifício de Jesus na cruz, com arrependimento sincero diante de Cristo. Pois, em Cristo, somos mais que vencedores!



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