sexta-feira, abril 03, 2009

Ana, uma mulher da oração


“levantou-se Ana, e, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou
abundantemente.” - I Samuel 1:10



Ana, a mãe de Samuel - um grande profeta de Deus, usado pelo Senhor desde a sua infância e fruto da oração de sua mãe atendida pelo senhor. Samuel foi o homem de Deus que ungiu os primeiros reis de Israel, Saul, quando Israel nem era ainda um reino, e posteriormente Davi, o grande rei de Israel abençoado pelo Senhor. Mas acho que eu devo começar pelo começo, falando de Ana, quando Samuel ainda nem existia.

Ana era mulher de Elcana, um homem que tinha duas mulheres. Além de Ana, possuía Penina como esposa. O problema começava aí. Penina tinha filhos; Ana, porém, não os tinha. De ano em ano, Elcana subia da sua cidade para adorar e sacrificar ao Senhor dos Exércitos, em Siló. No dia em que Elcana oferecia o seu sacrifício, dava ele porções deste a Penina, sua mulher, e a todos os seus filhos e filhas. A Ana, porém, ele dava porção dupla, porque era a ela que ele amava mais, mesmo que o Senhor a houvesse deixado estéril. Vendo isto, Penina se roía de inveja e provocava e irritava excessivamente Ana, pois via nisso uma grande chance de humilhá-la e de se vingar por Ana ser a mulher mais amada. Assim, provavelmente Penina tinha prazer em dizer a Ana algo como “Pois é, ele te dá porção dupla porque você não pode nem ter filhos, né? Não é toda mulher que tem a sorte de ter um monte de filhos como eu. Ainda bem que a descendência do meu marido já está garantida, né?”
E assim era de ano em ano; e, todas as vezes que Ana subia à Casa do Senhor, a outra a irritava; pelo que Ana chorava e não comia. Então, Elcana, seu marido, lhe dizia: Ana, por que choras? E por que não comes? E por que estás de coração triste? Não te sou eu melhor do que dez filhos? Entretanto, todo o amor e consolo humano de Elcana não podiam consolar Ana. Talvez só uma mulher possa imaginar a dor e a aflição de Ana diante dos insultos e agressões da sua rival. Mesmo sem nenhum insulto, certamente ela já sofreria bastante, pelo fato de não poder gerar nem um único filho sequer. Não podendo mais suportar sua própria dor, sua tribulação e sua ansiedade, que estavam matando-na, Ana levantou-se no templo e, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou aos soluços todo o choro que ela tinha engolido por anos, por não saber como podia resolver seu problema. Derramando sua alma na oração, decidiu fazer um voto e disse: Senhor dos exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao Senhor o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha.
Foi assim que Ana apresentou sua petição ao Senhor, apresentando-se ela mesma como serva, serva aflita que pedia para ser lembrada, durante uma longa oração. Como Ana estava demorando muito naquela oração, o sacerdote Eli passou a observar-lhe o movimento dos lábios, pois Ana falava só no coração, seus lábios se moviam, mas não se lhe ouvia voz nenhuma. Por isto, Eli pensou que Ana estava embriagada e lhe disse: Até quando estarás tu embriagada? Aparta de ti este vinho! Mas Ana logo lhe respondeu: Não, senhor meu! Eu sou mulher atribulada de espírito; não bebi nem vinho nem bebida forte; porém venho derramando a minha alma perante o Senhor.
A embriaguez de Ana não era de jeito nenhum de vinho, mas sim de dor, de ansiedade e de aflição. Tudo isto, ela estava naquele momento derramando aos pés do Senhor. Assim, o sacerdote Eli entendeu que aquela oração era a mais profunda que ele já tinha presenciado até ali e comovido com a fé de Ana, abençoou-a, dizendo-lhe “Vai-te em paz, e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste.” Assim, Ana se foi e o seu semblante já não era triste. A paz do Senhor havia entrado no seu coração e ela pôde, pela primeira vez em tantos anos, sentir alegria serena e a certeza de que o Senhor ouviu sua oração detalhadamente.
Nove meses depois, Ana deu à luz um filho, a quem chamou Samuel, pois dizia: Do Senhor o pedi. Samuel era o fruto da oração de Ana, concedido pela grande misericórdia do Senhor. Podemos pensar que a alegria de Ana era tão grande e tão intensa, que ela poderia se esquecer de sua promessa de entregá-lo a Deus, mas ela não se esqueceu. Havendo-o desmamado, levou-o consigo, com um novilho de três anos, um efa de farinha e um odre de vinho, e apresentou seu menininho, ainda muito bebê, junto com todas as ofertas ao Senhor. Assim, Ana o apresentou ao sacerdote Eli, explicando-lhe “Ah! Meu Senhor, tão certo como vives, eu sou aquela mulher que aqui esteve contigo, orando ao Senhor. Por este menino orava eu; e o Senhor me concedeu a petição que eu lhe fizera. Pelo que também o trago como devolvido ao Senhor, por todos os dias que viver; pois do Senhor o pedi.”
Ao ver como Ana cumpriu prontamente seu voto com o Senhor, entregando seu próprio filho, podemos achar que ela deve ter tido grande peso no coração, chorando por entregá-lo como oferta na casa de Deus. Entretanto, sua reação não foi de tristeza, mas sim a de erguer um sincero cântico de agradecimento ao Senhor, dizendo: O meu coração se regozija no Senhor, a minha força está exaltada no Senhor; a minha boca se ri dos meus inimigos, porquanto me alegro na tua salvação. Não há santo como o Senhor; porque não há outro além de ti; e Rocha não há, nenhuma, como o nosso Deus. Sem dúvida, Ana experimentou assim a convicção do Senhor, a certeza de que o Deus Todo-Poderoso prestava sim atenção nela, a misericórdia do Deus vivo que ela tanto buscou quando pediu que o Senhor dos exércitos atentasse benignamente para sua serva.
O Senhor foi a força de Ana, a alegria e a Rocha da salvação daquela mulher que um dia havia se humilhado aos pés do Senhor, derramando toda sua dor e fazendo a petição do seu maior sonho, gerar um filho. Deus se agradou tanto da fidelidade de Ana, que concedeu a ela ainda muitos outros filhos, três meninos e duas meninas. E o jovem Samuel cresceu diante do Senhor, sendo usado desde muito menino por Deus. Sendo ainda muito jovem, Samuel foi usado como profeta do Senhor, para dar direção a Israel e exortar o povo ao arrependimento. E assim o foi até sua velhice e morte.
Vendo a fé de Ana, posso ter alguma idéia de como ela venceu pela oração. Seu problema não era pequeno e não estava ao seu alcance resolvê-lo. Ele vinha se prolongando há tempos e Ana só pôde resolvê-lo quando derramou sua emoção aos pés do Senhor.

Durante os anos da faculdade até razoavelmente pouco tempo, eu achava que podia resolver todos os problemas com a força do meu braço. O instinto de sobrevivência e o meu orgulho próprio eram o que me fazia crescer diante dos homens. Não havia espaço sincero para Deus no meu coração, nem na minha vida. Não me esforçava para meditar meu Cristo, pois estava acostumada a viver como um robô para trabalhar, ganhar dinheiro e aumentar meu ego diante dos homens. O resultado desses anos todos vividos deste jeito é uma tristeza em mim com raízes profundas, que volta às vezes sob a forma de cansaço, como uma ferida mal curada. Por isto, sinto limite emocional e qualquer pequena coisa pode me fazer chorar, como simplesmente ouvir falar de contas para pagar.

Meditando na história de Ana, observei que essa heroína movida à oração disse ao sacerdote Eli “venho derramando minha alma perante o Senhor”; esta foi a explicação que ela deu por sua longa e sincera oração. Quando ela voltou com Samuel nos braços, disse ao sacerdote “Por este menino orava eu” e entregou-o com o coração cheio de júbilo pelo Senhor, e não com sentimento de perda. E este júbilo, este coração constante, ela manteve, realmente o sustentou não esquecendo a misericórdia do Senhor e assim pode até gerar o segundo, terceiro, quarto, quinto e sexto filho.
Se eu olho para mim, não vejo este coração constante como o de Ana, porque não aprendi ainda a derramar minha alma em oração ao Senhor. Aprendi a trabalhar e acumular funções como se minha fidelidade fosse fazer sempre o maior número possível de atividades. Como se trabalhasse para Deus como trabalho para um chefe. No caso dos chefes da terra, eles recompensam os funcionários que dão mais produção, pouco importa onde ou como estão os seus corações. Sem querer, eu estava freqüentemente fazendo o mesmo para Deus, economizando meu coração, pela ignorância espiritual de quem não sabe se derramar porque se acostumou a se manter em pé por teimosia.

No entanto, vendo minha ignorância espiritual, Deus não me jogou fora, nem me puniu. Pelo contrário, o Senhor esperou pacientemente que eu chegasse ao ponto de sentir a necessidade de aprofundar minha oração e minha relação com Ele, meditando quem é o meu Cristo. E na sua grande misericórdia, Deus foi me abençoando sempre, ainda que eu não estivesse no nível de perceber sua mão de poder sobre minha vida. Se revejo minha história, lembro-me de que vim de uma família modesta, em que as pessoas mal sabem ler ou escrever. O Senhor me elevou a ter estudo, falar algumas línguas, ter profissão e sucesso profissional.

Conhecia o evangelho, porém não amava a Jesus. Minha alma por muitas vezes grita, chora e se desespera. Por que? Pois o Espírito Santo de Deus que se move em mim me mostra que eu cheguei no tempo da oração. Ler a palavra bíblica como quem come miojo ou orar como quem escova os dentes não é mais suficiente, porque preciso agora derramar minha alma, despejando toda a paixão que o Senhor me deu o dom de ter dentro de mim. Deus me fez ver quem eu sou, não sou uma super mulher, só uma mulher necessitada da atenção de Deus.

3 comentários:

Prof. Ademar Oliveira de Lima disse...

Desculpe-me, mas estive por aqui vendo e lendo o seu blog!
Abraço Ademar!!!

wilmar mariano disse...

A Paz do Senhor Jesus minha Irmã, que nosso Deus todo poderoso continue pela sua misericordia a usar a irmã a deichar mensagens que engrandeça o nome dele. Fique com Deus.. Seu irmão em Cristo. Wilmar mariano - brindesaleluia@hotmail.com

Anônimo disse...

Olá Liliane, a paz do Senhor, parabéns por esta palavra,
Deus te usou muito nesta meditação. Sou pastor da Igreja Cristã Pentecostal da Bíblia, em S.Paulo, e Deus tocou em meu coração p/ pregar amanhã s/ a oração de Ana, e lendo teus comentários, pude me inspirar em muitos aspectos que pretendo falar nesta mensgem, Deus te Abençoe, Bp. Adalberto.