quinta-feira, janeiro 24, 2008

"A Imitação da Rosa"



Sempre achei que cada ser humano fosse produto exclusivo no mercado da humanidade, mas após uma leitura não tanto prazerosa, descobri que somos meras imitações.
Seguimos modelos semi-prontos, que moldamos dentro de nossas limitações e os expomos ao mundo como se fossem a mais pura expressão da originalidade.
Somos sempre a "a imitação da rosa". Por que? Será por que não imitamos outro objeto. Resposta: tem algo mais perfeito que um botão de rosa en fleur? Imitamos o que achamos belo e seguimos esse modelo de forma a sacralizá-lo.
E pior, não fazemos isso em busca do belo, mas em busca da aprovação de outro imitador que nos observa, nos examina e nos julga - o outro.
Passamos pela vida querendo ser exemplos de filhos, modelos perfeitos de adolescentes rebeldes ou bem comportados (isso vai depender da galera de "imitantes" que você segue), exemplos de pais, exemplo de profissional etc.
Ufa!!! Sempre exemplos, sempre modelos. Quem não quer ser um ídolo? adorado? aprovado?
Ainda você que contraria todas as normas - você pensa que é original, que é você mesmo? NÃO!!! Lamento, mas não passa de mais um imitante da classe que busca o "erro" como filosofia de vida. É mais uma imitação, porém imita as minorias.
Ainda que você radicalize tudo e tente ser diferente ao máximo, você sempre estará em busca da sua rosa.... Ah! essa rosa que nos escapa entre os dedos e que passamos uma vida em busca... a rosa da auto-afirmação.
E, o que seria não ser "a imitação da rosa"?
Verdadeiramente não sei, quanto mais penso em ser eu mesma mais me vejo envolta em algum cliché... nada parece único, original... parece que tudo já foi inventado, experimentado... e tudo que eu tentar ser vai parecer mais uma imitação transmutada, porém não original.
Talvez se aceitarmos que vivemos em meio a tantos clichés e nos deixarmos passear em meio a eles, sem julgá-los, como fazem os moralistas, mas aproveitando um pedacinho que nos agrada de cada detalhe da vida, seremos diferentes. Ao menos seremos mais felizes, gozaremos mais da vida, pois essa busca chata em se encaixar em alguma rosa ou julgar àquelas que não achamos dignas de imitação, parece mais um sadomasoquismo, porém sem prazer, apenas dor.

0 comentários: